Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Francisco Sá Carneiro - 26 anos depois

A 4 de Dezembro de 1980, uma brilhante e promissora carreira política foi interrompida abruptamente. Impõe-se, vinte e seis anos depois, recordar Francisco Sá Carneiro. Para tal, este texto será uma reprodução de excertos de declarações de pessoas que conviveram de perto com ele, publicadas nas edições “Francisco Sá Carneiro – Um Olhar Próximo” e “Sá Carneiro – Pensamento, Visão e Alma – 40 depoimentos”, por ocasião dos 20.º e 25.º aniversários da sua morte, respectivamente.


Muitas vezes me interrogo: como seria Portugal se Francisco Sá Carneiro tivesse vivido?

Não é, obviamente, possível responder com exactidão. Uma coisa porém é certa: se Sá Carneiro não tivesse morrido, Portugal estaria melhor. Melhor não apenas no que respeita ao desenvolvimento e às estatísticas económicas e financeiras mas, sobretudo, no que respeita à diminuição das injustiças sociais e à criação de igualdade de oportunidades, nas várias etapas da vida social e profissional.

Essa é afinal a palavra de ordem da social-democracia: a liberdade é essencial mas, sem igualdade, a liberdade plena nunca será alcançada.
” (Francisco Pinto Balsemão, "Sá Carneiro – Pensamento, Visão e Alma – 40 depoimentos")

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Francisco Sá Carneiro foi um líder. Pode-se dizer que foi em Portugal o primeiro governante a compreender, de maneira intuitiva e envolvente, a necessidade de separar a política da filosofia crítica dos partidos; para lhe dar um impulso realista que poderia inspirar uma educação útil.” (Agustina Bessa-Luís, "Sá Carneiro – Pensamento, Visão e Alma – 40 depoimentos")

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Francisco Sá Carneiro era uma personalidade fascinante. Não só pela sua cultura e berço, mas também pela fé que tinha em Portugal e nos Portugueses, que o levava a adoptar na política uma postura dialéctica de combate activo.” (Alberto João Jardim, "Sá Carneiro – Pensamento, Visão e Alma – 40 depoimentos")

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[sobre uma conversa em que Francisco Sá Carneiro se mostrou disponível a abdicar de ser indigitado Primeiro-Ministro, devido ao facto de viver com Snu Abecassis]
Nunca conheci ninguém, em Portugal ou no estrangeiro, que, à beira de uma vitória eleitoral estrondosa, fosse capaz de mostrar tanta honestidade pessoal, tanta lealdade para com os parceiros de coligação, e tanto desapego ao Poder!” (Diogo Freitas do Amaral, "Sá Carneiro – Pensamento, Visão e Alma – 40 depoimentos")

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De Francisco Sá Carneiro quero recordar, antes de mais, quem, de 1969 a 1973, se bateu, sem descanso e sem virar a cara, pela liberdade e pela democracia. Creio que ninguém de boa fé poderá negar a importância dessa luta desigual para a criação de condições que tornaram possível a vida democrática em Portugal. Luta pela liberdade e pela democracia que o após 25 de Abril de novo o viria a obrigar.” (Magalhães Mota, "Sá Carneiro – Pensamento, Visão e Alma – 40 depoimentos")

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Dizia ele [Francisco Sá Carneiro]:a política sem ética é uma vergonha’. Como cidadão, como líder partidário, como estadista, numa palavra, como político, Francisco Sá Carneiro foi sempre, na defesa dos valores da liberdade, da justiça e da cultura, uma pessoa constitucionalmente moral em que se conjugavam um ética de convicção com uma ética de responsabilidade.” (Miguel Veiga, "Sá Carneiro – Pensamento, Visão e Alma – 40 depoimentos")

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Francisco Sá Carneiro fez muita falta a Portugal. E fez muita falta, entre outras, por uma simples e fundamental razão: com ele presente, tudo teria mais elegância, mais elevação, mais entusiasmo.” (Pedro Santana Lopes, "Sá Carneiro – Pensamento, Visão e Alma – 40 depoimentos")

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Sá Carneiro merece ser lembrado por ter sido um dos criadores – o mais importante – de um grande partido político e um dos principais factores da estabilização da democracia depois do 25 de Abril. Mas a sua grandeza está, sobretudo, em ter sido um homem na plenitude da sua condição.” (Pedro Roseta, "Sá Carneiro – Pensamento, Visão e Alma – 40 depoimentos")

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Limitando a um só aspecto a análise desta sua personalidade particularmente rica e multifacetada, penso que Francisco Sá Carneiro merece ser lembrado nos dias de hoje, antes de tudo, como um político honesto e fiel às suas convicções, na defesa das quais investiu o melhor das suas excepcionais capacidades de pensador e reformador, que lhe permitiam, com rara argúcia e rapidez, discernir os aspectos essenciais dos problemas e definir as soluções e os métodos mais eficazes para os resolver.” (Amândio de Azevedo, "Francisco Sá Carneiro – Um Olhar Próximo")

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Hoje, mais do que nunca, vale a pena revisitar o legado deixado por Sá Carneiro, enquanto Primeiro-Ministro. O desenvolvimento equilibrado e harmonioso, a justiça social e a igualdade de oportunidades, a segurança dos portugueses, a qualidade dos serviços públicos, o reforço da iniciativa empresarial, o funcionamento da democracia, a projecção de Portugal no mundo só terão a ganhar com a difusão da sua obra e do seu exemplo entre a classe política portuguesa.” (Aníbal Cavaco Silva, "Francisco Sá Carneiro – Um Olhar Próximo")

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Sempre defendi que em democracia não há inimigos: há apenas adversários políticos circunstanciais. Que a cordialidade – e o respeito mútuo – são regras que devem presidir às relações entre os políticos, mormente no quadro do Parlamento, e que as diferenças de opinião, mesmo quando expressas com vivacidade, não são incompatíveis, bem pelo contrário, com o apreço sincero e mesmo a admiração.” (Mário Soares, "Francisco Sá Carneiro – Um Olhar Próximo")